A lacuna de políticas: quando a generosidade não tem manual
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FromThe Policy Desk
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Quando um contêiner de equipamentos doados chega a um país sem política de doação, tudo vira negociação: o que é aceito, quem libera, para onde vai, quem é responsável quando quebra. A pesquisa de referência da WHO sobre dispositivos médicos mostrou que isso é a regra, não a exceção — cerca de metade dos países participantes relatou não ter política ou orientação nacional sobre doação de dispositivos médicos, e uma proporção semelhante não tinha diretrizes de aquisição.
Política parece algo abstrato até você ver sua ausência em ação. Sem critérios de aceitação, nada pode ser recusado educadamente, então tudo chega — inclusive o que não serve. Sem orientação de padronização, cada doação fragmenta um pouco mais o parque nacional de equipamentos. Sem regras de descarte, o que não serve nunca sai. O depósito cheio de doações inoperantes é, de certa forma, um documento de política que nunca foi escrito.
O lado positivo: países que adotam políticas claras de tecnologia em saúde oferecem aos seus hospitais uma ferramenta que custa quase nada e funciona na fronteira, onde agir é mais barato. 'Obrigado, mas nossas diretrizes nacionais exigem manuais, peças e treinamento com cada equipamento' é uma frase que transforma o comportamento dos doadores.
Redes como a nossa atuam dentro do ambiente de políticas existente — mas torcemos muito pelos manuais de regras, e nossa orientação de aquisição foi criada para funcionar como um substituto do setor privado onde a política pública ainda não chegou.
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