O desafio do oxigênio: o medicamento em que a maior parte do mundo ainda não pode confiar
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O oxigênio medicinal está na lista de medicamentos essenciais da WHO e é fornecido quase exclusivamente por equipamentos: concentradores, cilindros, usinas, fluxômetros e os oxímetros de pulso que indicam aos profissionais quem precisa dele. Por isso, o acesso ao oxigênio é, em sua essência, uma questão de equipamentos biomédicos.
Em fevereiro de 2025, a Lancet Global Health Commission on Medical Oxygen Security publicou as primeiras estimativas globais sobre essa lacuna. A comissão relatou que cerca de seis em cada dez pessoas no mundo não têm acesso a oxigênio medicinal seguro, de qualidade e acessível, e que em países de baixa e média renda aproximadamente sete em cada dez pacientes que precisam de oxigênio não o recebem.
As conclusões da comissão sobre recém-nascidos são especialmente difíceis de ler: a maioria das mortes neonatais está ligada a condições tratáveis com oxigênio, motivo pelo qual a comissão defendeu o acesso universal à oximetria de pulso e ao oxigênio medicinal em todas as unidades que realizam partos e cuidam de bebês.
A pandemia de COVID-19 impulsionou um investimento global em infraestrutura de oxigênio — concentradores, usinas PSA, logística de cilindros. Agora, esses equipamentos existem em muitos lugares onde antes não existiam. A questão levantada pela comissão é se eles continuarão funcionando: sistemas de oxigênio precisam de manutenção, peças de reposição, energia e técnicos capacitados, como qualquer outra tecnologia médica.
É aí que entra a comunidade biomédica. Cada concentrador mantido em funcionamento, cada usina mantida, cada oxímetro calibrado transforma o investimento emergencial da pandemia em uma capacidade permanente. A segurança do oxigênio é, em grande parte, manutenção de equipamentos com uma missão nobre.
Para nossa rede, equipamentos relacionados ao oxigênio estão entre as maiores prioridades em qualquer avaliação — porque poucos reparos salvam mais vidas por hora de trabalho do que aqueles que devolvem o fôlego a um hospital.
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